Infarto do miocárdio nos homens e nas mulheres – entenda a diferença

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Entenda a diferença do infarto do miocárdio nos homens e nas mulheres

Imagine alguém tendo  um ataque cardíaco!  Se você imaginou um homem apertando o peito em agonia, isto é compreensível. Em idades mais jovens, os homens apresentam maior risco de doença cardíaca do que as mulheres. Em média, um primeiro ataque cardíaco – a manifestação mais comum desta doença  – atinge os homens aos 65 anos, para as mulheres, no entanto, a idade média de um primeiro ataque cardíaco é 72 anos.

Sabe-se que  a doença cardíaca é a principal causa de morte no Brasil e no mundo todo,  para ambos os sexos. Sabe-se também que  desde 1984, mais mulheres morreram de doença cardíaca do que os homens a cada ano, dado  provavelmente relacionado  ao fato das  mulheres geralmente viverem mais do que os homens.

Por que os homens de meia-idade têm mais ataques cardíacos do que as mulheres na mesma faixa etária?

Hábitos pouco saudáveis em homens – como o tabagismo e estresse – podem ser parcialmente culpados, além do fato de as  mulheres estarem protegidas pelos hormônios femininos durante a idade fértil, proteção que desaparece na menopausa.

Os sintomas do infarto são diferentes nos homens e nas mulheres? 

  • Infarto do miocárdio nos homens e nas mulheres – entenda a diferença

Alguns estudos sugerem que durante um ataque cardíaco, as mulheres são mais propensas a ter sintomas “atípicos”, como náuseas, tonturas e fadiga, mas, também apresentam a dor no peito tipica do infarto do miocárdio. O grande problema é que as mulheres podem ignorar os sintomas de ataque cardíaco clássicos, como dor no peito e pressão. Elas também tendem a minimizar os seus sintomas e atrasar a procura de tratamento. Na verdade, um estudo que mede quanto tempo as pessoas esperaram antes de procurar tratamento para um ataque cardíaco, encontrou um tempo de atraso médio de cerca de 54 horas para as mulheres, em comparação com cerca de 16 horas para os homens.

No início deste ano, a American Heart Association lançou sua primeira declaração científica sobre os ataques cardíacos em mulheres, que destaca outras disparidades entre homens e mulheres. Por exemplo, dentro de um ano de um primeiro ataque cardíaco, as taxas de sobrevivência são mais baixas em mulheres que em homens – mesmo após a contabilização de idade. Dentro de cinco anos, 47% das mulheres que já experimentaram um primeiro ataque cardíaco vão morrer, desenvolver insuficiência cardíaca, ou sofrer  um acidente vascular cerebral, em comparação com 36% dos homens.

Um estudo recente mostrou que, cerca de 50.000 pessoas com mais do que  65 anos de idade  que foram hospitalizadas por doenças do coração (muitas vezes um ataque cardíaco) revelou  que, em comparação com os homens, as mulheres eram menos propensas a receber medicamentos potencialmente benéficos, como a aspirina e os medicamentos para baixar o colesterol, ou para receber conselhos sobre parar de fumar.

Uma das explicações bem convincentes sobre a diferença de sobrevivência dos sexos é que as mulheres tem o infarto mais velhas do que os homens  e consequentemente com mais doenças coexistentes.

Mulher esteja sempre atenta!!!

O conselho que sempre dou para minhas pacientes, principalmente aquelas na peri menopausa, ou seja com  seus 45 anos ou mais, que começaram a sentir os sintomas da menopausa, aquelas que estão fora do peso, com seus níveis de colesterol , de glicemia de jejum anormais, as fumantes, as  sedentárias é sempre o mesmo:  tenham hábitos de vida saudáveis, tomem corretamente os medicamentos prescritos e façam exames cardiológicos anuais para evitarem esse grande mal que é a doença cardiovascular, principal responsável pela mortalidade das mulheres no Brasil.

Além disso, em caso de dor no peito forte, em opressão, com irradiação para os braços ou pescoço, concomitante a sudorese fria e palidez, não demore a procurar o serviço de emergência mais perto de onde estiver.

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Este artigo foi escrito por Roque Marcos Savioli

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