A POLÊMICA DO ÓLEO DE COCO!!

 

Se você for procurar no Google “óleo de coco”,  verá uma série de histórias  ressaltando que a gordura sólida existente no vegetal tem uma série de  benefícios para a saúde. Em quaisquer supermercados vemos esse produto nos dias de hoje. Mas como ele pode ser bom para a saúde se é uma gordura saturada e desde há muito se sabe que esse tipo de gordura é maléfica a saúde humana, sendo uma conhecida responsável pelo risco de doenças do coração e dos vasos?

O oleo de coco tem algumas qualidades únicas que os entusiastas citam para explicar seus alegados benefícios à saúde. Mas as evidências que comprovam essa afirmação ainda são muito fracas e sem o mínimo respaldo científico.Se você quiser reduzir o risco de doença cardíaca, o óleo de coco não é uma boa escolha. É verdade que o óleo de coco tende a aumentar o bom colesterol (HDL) benéfico mais do que outras gorduras, possivelmente porque o óleo de coco é rico em ácido láurico, um ácido graxo que o corpo processa de forma ligeiramente diferente do que faz outras gorduras saturadas.

O efeito do óleo de coco sobre o colesterol

Mas não há evidências de que o consumo de óleo de coco pode diminuir o risco de doenças cardíacas, de acordo com um artigo publicado em Abril de 2016 Nutrition Reviews. O estudo, intitulado “Consumo de óleo de coco e Fatores de Risco Cardiovascular em Humanos”, revisou os resultados de 21 estudos, a maioria dos quais examinou os efeitos do óleo de coco ou produtos de coco sobre os níveis de colesterol. Oito foram ensaios clínicos em que voluntários consumiram diferentes tipos de gorduras, incluindo o óleo de coco, manteiga, e óleos vegetais insaturados (tais como o azeite, de girassol, de açafrão, e óleo de milho) por curtos períodos de tempo. Em comparação com os óleos insaturados, o óleo de coco aumentou os níveis de colesterol total, HDL e LDL, embora não tanto quanto a manteiga.

As dietas tropicais são diferentes

Os defensores do óleo de coco apontam para estudos de populações indígenas em partes da Índia, Sri Lanka, Filipinas e Polinésia, cujas dietas incluem quantidades copiosas de coco. Mas suas dietas tradicionais também incluem mais peixes, frutas e legumes do que as dietas típicas americanas, então esta comparação não é válida.

Algum tipo  do óleo de coco disponível nas lojas é rotulado “virgem”, significando que é feito pressionando o líquido da carne do coco e separando então para fora o óleo. Tem gosto e cheiro de coco, ao contrário do óleo de coco refinado, branqueado e desodorizado feito a partir da carne de coco seca usada em alguns alimentos processados ​​e cosméticos. Óleo de coco virgem contém pequenas quantidades de compostos antioxidantes que podem ajudar a reduzir a inflamação, mas até agora, a prova de qualquer benefício possível é limitada a pequenos estudos em ratos e camundongos.

Gorduras não saturadas

Em contraste, há uma riqueza de dados mostrando que dietas ricas em gordura insaturada, especialmente azeite, pode diminuir o risco de doença cardiovascular. A evidência vem não somente de muitos estudos observacionais mas também de um teste clínico realizado, revelando que os povos que comeram uma dieta do tipo mediterrânea,  aumentada com o azeite de oliva extra-virgem ou de nozes , tiveram um mais baixo risco de ataque cardíaco, acidente vascular cerebral e morte por doença cardíaca do que as pessoas que seguiram uma dieta de baixo teor de gordura.

Claro, não há necessidade de evitar completamente o óleo de coco, se você gosta do sabor. Alguns padeiros usam óleo de coco em vez de manteiga em produtos assados, e leite de coco é um ingrediente chave na culinária tailandesa e alguns pratos indianos com  curry. Apenas não se esqueça de considerar o consumo desses  alimentos como ocasionais e não de consumo diário.

 

FONTES:

Corliss,JCracking the coconut oil craze- Harvard Health Publications  POSTED APRIL 10, 2017, 10:00 AM , UPDATED APRIL 20, 2017, 10:21

Coconut oil consumption and cardiovascular risk factors in humans
Laurence Eyres Michael F. Eyres Alexandra Chisholm Rachel C. Brown
Nutr Rev (2016) 74 (4): 267-280. DOI: https://doi.org/10.1093/nutrit/nuw002
Published: 05 March 2016

Este artigo foi escrito por Roque Marcos Savioli

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